Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Meios e Modos de Jogar MMO’s

ModosMMOBanner

Nos comentários do post de semana passada, o grande amigo Jackson falou sobre formas de se jogar MMORPG’s. Vamos conversar sobre elas?

Vamos.

Role Playing

A forma mais eficiente de “imergir” no jogo. Você cria um histórico para seu personagem, caso o jogo não apresente essa possibilidade automaticamente, e passa a pensar como você agiria se estivesse no lugar dele. É basicamente o que “roleplay” quer dizer.

Esse deveria ser o modo mais atraente para os jogadores que vêm dos RPG’s de mesa, com papel e dados. para os MMO’s. Teoricamente, é a forma mais divertida de se jogar. Mas muito teoricamente mesmo. Vamos analisar:
Eu crio um espadachim que, incentivado pelas lendas de grandes herois do mundo (que muitos MMO’s se dão ao trabalho de criar em seus históricos), se armou de espada e escudo e saiu pelo mundo, em busca de feitos heroicos a se fazer. Sua primeira parada é a Guilda dos Cavaleiros, onde poderá fazer o teste para integrá-la. Seu instrutor pede para ele matar quinze ratos de esgoto e trazer suas caudas como prova. Tudo bem, uma lição de humildade talvez? Lá vai o heroi novato sujar suas botas e calças com dejetos, em busca da aprovação.

Justo.

Justo.

Missão concluída, alguns testes escritos e tudo pronto. Temos um novo Cavaleiro Andante no mundo. Em busca da primeira missão, nosso heroi pergunta a seus superiores onde sua espada poderia ser útil. É avisado então, que a capital do reino está sendo assolada com uma praga. Ele recebe então, uma cópia da chave dos esgotos da cidade onde poderá lutar contra… Ratos de esgoto.

Tudo bem, o teste na verdade era uma preparação para um feito maior. Excelente. Outros quinze ratos mortos depois, um aviso pipoca na tela: “Missão Concluída! Retorne ao Capitão dos Cavaleiros para receber sua recompensa”. Caminhando de volta à Guilda, o heroi avista diversos outros Cavaleiros aprendizes rumando para os esgotos, em busca de sua própria cota de ratos. “Faz sentido!”, você pensa, “Dividir os esforços diminui o cansaço e permite que mais missões sejam concluídas em mais lugares!”

De posse do próximo objetivo, o heroi segue para outra cidade. Meses depois, agora um Cavaleiro experiente e poderoso, você decide passar na Guilda e ver como estão as coisas. E, veja só, os ratos ainda estão assolando a capital.

cat

– Are you freaking kidding me?

Se você, por um segundo, parar pra pensar, a magia vai acabar. Meu conselho é: encontre um grupo de amigos disposto e siga sempre em frente, sem olhar pra trás. Acredite que suas ações estão fazendo a diferença e nunca visite um mesmo mapa duas vezes.

Be the very best

Outra abordagem é buscar simplesmente ser cada vez melhor. Existe um motivo pra praticamente todo jogo (dica: todo jogo) hoje em dia dizer em sua descrição que “possui elementos de RPG”: Evoluir é legal pra caramba. E viciante pra cacete.

Usando o exemplo acima, é muito prazeroso ver seu heroi começar como Aprendiz e, conforme você luta e realiza missões, tornar-se um Espadachim, especialmente se algum tipo de teste estiver envolvido. É uma daquelas coisas difíceis de explicar e praticamente impossíveis de se encontrar em outra mídia que não os Games. E hoje em dia, essa evolução quase nunca tem fim. Aprendiz vira Espadachim, depois Cavaleiro, depois Lorde Cavaleiro, depois Cavaleiro Rúnico…

O colossal World of Warcraft usa e abusa dessa técnica, com mensagens de triunfo e realização quase a todo momento. De entrar em uma vila nova a derrotar um vilão, passando por conseguir um item raro, caminhar muitos metros, clicar milhares de vezes… Com o tempo, o intervalo entre essas mensagens vai se tornando maior, mas aí o jogador já tá envolvido demais para perceber.

- Só mais um nível. E um raid, e um drop, e uma quest, e um troféu...

– Só mais um nível. E um raid. E um drop, e uma quest, e um troféu…

Esse método é o mais “perigoso” e viciante. Você pode acabar preso em um ciclo infinito de conseguir equipamento -> derrotar inimigo poderoso -> conseguir equipamento melhor -> derrotar inimigo mais poderoso… Mas se você souber dosar seu tempo, é um passatempo sem fim. De minha parte, se eu tivesse de escolher, eu iria preferir MMO a construir coisas em Minecraft, por exemplo.

Join your friends

E a terceira e provavelmente melhor abordagem é aquela citada pelo Jackson: se divertir com seus amigos! Sejam amigos de longa data ou novos amigos conhecidos justamente no MMO, é muito divertido juntar os personagens e ir conversando pelo Skype enquanto todos tentam conseguir itens novos, derrotar inimigos poderosos ou simplesmente andar por aí. E quem sabe interpretar os personagens que estão jogando?

Qualquer pequena coisa nos MMO’s fica mais legal se feita com amigos (assim como na vida). De experiência própria, posso dizer que até tentar “dropar” itens fica divertido. Por exemplo, jogando Ragnarok com o supracitado Jackson e outro amigo, o Rogério, tentávamos conseguir um chapéu de Munak. Para quem não conhece, as chances de um Munak deixar cair (“dropar”) o tal chapéu é de 0,02%. Ou seja, a grosso modo, um chapéu a cada 5000 monstros mortos.

Uma tarde inteira depois, passamos a acreditar que era impossível. Saímos da caverna sem chapéu (mas vários níveis mais poderosos). Foi um fracasso? Talvez tivesse sido, se o objetivo fosse apenas conseguir o item. Porém, a companhia e as risadas fizeram que aquela tarde fosse lembrada para sempre. Foi realmente o ápice de MMO’s pra mim e, talvez, seja por isso que às vezes eu ainda sinto vontade de jogar Ragnarok.

ragnarok-online-drops

Ainda bem que passa rápido.

Eu Ia Falar Sobre Isso é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, que fala sobre o maravilhoso “ecossistema” do mundo dos jogos.

About The Author

  • Jackson Dutra

    “Só queremos ser enganados”

    Verdade máxima quando sento pra jogar qualquer coisa.
    Quero que aquele mundo me engane, me faça acreditar que aquilo é verdade.
    Mas pra isso não podemos olhar muito a fundo, não levantar as cortinas que escondem a verdadeira verdade: “Aquilo é só programação”

    No Mundo dos MMOs é mais difícil ainda conseguir se manter enganado.
    Voce sair de um lugar com uma quest concluída e encontrar outro jogar perguntado onde está o NPC A, porque ele tem que entregar o item B. Mas pera.. EU acabei de entregar o Item B que ele precisava pra salvar sua filha doente?! Isso faz qualquer cortina cair!!!!

    Mas fica a mesma dica do Rafero aí em cima, “Amigos, amigos é o segredo pra se divertir em um MMO”

    • A frase era tua mesmo hahaha