Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

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KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Power Rangers – The Movie: O Jogo do Filme da Série

VELHARIA GAMER 2

“Hora de Morfar!” talvez uma das mais célebres frases do inicio dos anos 90, vinda do sucesso de Power Rangers pelo mundo a fora, sendo referenciada até mesmo nas primeiras temporadas de Friends. A série logo se tornara febre e disso, e dos rios de dinheiro, a enxurrada de produtos da franquia não demoraria a surgir para todo o mundo.

Com todo tipo de produto sendo explorado, além dos bonequinhos que viravam a cabeça, em 1995 apareceu o primeiro filme dos Power Rangers americanos. E em conjunto ao novo hit nos cinemas, a Bandai tratou de colocar dois jogos a “disposição das crianças”. Um jogo de luta entre Zords e este do qual escrevo.

O Jogo em questão, baseado no Filme da Série (!) que faz parte do gênero Beat-’em-up. Lançado pela Bandai para SNES, Mega Drive/Genesis, Game Boy e Game Gear em 1995 (época de lançamento do Filme nos EUA) o jogo se vendeu no Hype do Filme (que era alavancado pelo sucesso das 3 primeiras temporadas da série pelo mundo) faturando bastante mesmo sendo um jogo mediano (assim como o filme).

O Chamer das Telas Iniciais

O Chamer das Telas Iniciais

Na história, bem… não tem História. O jogo apenas se utiliza do nome do filme para colocar uma única referência a ele no final o jogo. O Chefe final.
Na História do filme, há viagens para outro planeta e pelo menos umas duas tramas diferentes. Aqui nem sequer um texto introdutório. Provavelmente há alguma explicação no manual do jogo. Mas não tive como pesquisar isso.

O jogo se passa (na versão de SNES) em sete cenários diferentes e tenta repassar alguns aspectos do filme para o jogador. Mesmo que não haja muita ligação.

Dos chefes que você enfrenta no jogo cinco deles são personagens da série de TV, um deles foi criado especialmente para o jogo e o último chefe é o vilão do filme (que aparece em um confronto direto sem prévia de cenário).

No desenrolar do jogo você passará por cenários variados. Cada fase geralmente é composta de dois ou mais ambientes com direito a uma fase com contagem regressiva para explosão.
Alguns desses são bem interessantes e tentam repassar um pouco da adrenalina da série. Na segunda fase, por exemplo, você entra em um porta aviões a partir de uma lancha que bateu numa pedra em alto mar (!) e voou na altura da embarcação.

Fuuuuuuuuu

Fuuuuuuuuu

Coisas explodem a todo momento no jogo (incluindo os Patrulheiros/Bonecos de Massa – depende da época da dublagem do Lord Zedd, ausente no jogo tal qual a Rita Repulsa), algumas coisas vem para te atropelar, como os carros da primeira fase, ou os carrinhos de mineração da quarta fase.

Algo que se destaca nesse jogo (o que não é difícil) é a qualidade das músicas. Longe de serem épicas ou memoráveis, mas são bem legais e combinam com o passo que o jogo tenta pontuar junto do cenário.
A música da primeira fase, lembra um pouco o tema oficial dos Power Rangers. Já na segunda fase o ritmo da música começa junto com a cena de você na lancha desgovernada e já te coloca no clima e assim segue. Inclusive em fases mais lentas em que “nada acontece”. Aliás, o jogo conta com uma introdução tocando o Tema da série (que empolga \m/).

Do the Air Guitar! Now!

Do the Air Guitar! Now!

O problema em si, é que o jogo é lento. Não em nível técnico como queda de frame rate por exemplo, mas pelo fato da música te colocar num clima e o jogo ter a jogabilidade focada num ritmo um pouco mais lento. Talvez tenha sido uma decisão para acompanhar a faixa etária da totalidade dos jogadores. Nada que atrapalhe (muito) mas em 1995 já existiam Beat-’em-ups mais velozes.

Os gráficos são bons. Não tem um primor detalhista, mas você muito provavelmente não confundirá um cenário com outro.

Os heróis lembram bem os personagens da série, exceto por Billy, interpretado na série pelo ator David Yost, que no jogo tem a aparência estereotipada ao extremo. Não que seu personagem não fosse o estereótipo do nerd dos anos 80/90, mas precisava exagerar tanto niss? Aliás, o menu de escolha de personagens conta com foto digitalizadas bem diferentes dos rostos exibidos quando um personagem se transforma.

Todos eles vestem roupas das quais são muito fáceis de se distinguir. E suas versões “Morfadas” são bem fiéis aos personagens na série.

 

Mistério!

Mistério!

Os inimigos no jogo são bem desenhados. Dos Robôs aos Bonecos de Massa, todos (ou quase todos, tirando o Ninja Sub-Chefe que aparece do nada, são bem legais. Os que aparecem aqui são parte do Exército do Zedd e todos eles apresentam o medalhão Z no peito, que é o ponto fraco deles na série. Não há muita variedade deles no jogo. Todos os Bonecos de Massa tem o mesmo Sprite e só se diferem pela cor. E cada Boneco tem um padrão de ataque diferente para o seu grupo de cor. Alguns só andam, outros andam e chutam, outros atacam com voadora, alguns usam espada, alguns atiram com uma espingarda (!!!!) e por aí vai.

Os chefes são personagens que já tiveram participação oficial na série. Todos são muito bem desenhados e tem um nível de detalhes bem acima da média para um jogo franqueado. Eles apresentam um padrão de ataques único e são bem difíceis se você apenas atacar aleatoriamente. Saber, ou identificar o padrão de ataques dos chefes é crucial. Os pontos contras desses chefes são os dois últimos apresentados no decorrer do jogo.

Toma essa Copyright

Toma essa Copyright

O penúltimo chefe é um cérebro dentro de um globo de vidro e defendido por 3 esferas que tem padrões de ataques específicos. Fico na dúvida entre decidir se é uma clara referência ao jogo Metroid ou ao chefe do cenário do avião de Shinobi 1. Não é um chefe feio nem mal pensado: só é genérico demais.

Já o ultimo chefe é o vilão do filme. E como tal, ele é uma mescla entre um Humanóide e um Monstro… bem, na verdade ele é um E.T. assim como todos os outros personagens não humanos (há!) – tirando os Bonecos de Massa que são fabricados. O Design do chefe segue mais ou menos o que foi apresentado no filme. Mas ele é o mais feio de todos (até o chefe com cabeça de imã é mais legal) e não combina muito com o resto dos monstros, que são bem coloridos. Além de ser mais difícil que o normal. É o que se espera do último chefe do jogo, mas nesse caso apenas jogaram um dez padrões de ataques e colocaram ele voando e deram O.K.

OMG! Um Braço Gigante!

OMG! Um Braço Gigante!

A jogabilidade é um divisor de opiniões. O jogo se baseia no Beat-’em-up para os combates. Mas ele segue um sistema de “Waves” de inimigos muito particular. Você avança pelos cenários até encontrar a próxima onda de inimigos, só que o combate é quase 1×1. É muito difícil enfrentar ou acertar todos os inimigos ao mesmo tempo (como em Final Figth, por exemplo). Não há combos pré definidos, mas se você souber o tempo certo entre a troca de golpes, você conseguirá eliminar os inimigos muito mais rápido do que atacando normalmente. Como dito antes não há combos. Mas você pode variar seus ataques e cada personagem (não morfado) tem uma animação e alcance diferentes de ataque. Podendo variar entre um golpe aéreo [B, Y] como um L.A.I., um golpe abaixado [Baixo, Y], uma espécie de gancho [Cima, Y], um soco simples [Y] ou ao apertar um botão específico [X] cada personagem fará uma ação diferente também. Há interação com o cenário também. Os jogador pode se pendurar em algumas estruturas ao pular [B, Cima], ou descer de algumas plataformas [Baixo, B]. Ah, algumas partes do cenário podem ser destruídas também apenas atacando.

gotta beat'em all

gotta beat’em all

Há um contador de vidas não muito exigente que aumenta de tempos em tempos, um limite de continues que podem ser usados, uma barra indicadora de saúde e uma barra de força. A barra de energia contem cinco pontos e a cada dano sofrido ela é decrementada em um. Ao se esgotar, será descontado uma vida e quando não houve mais o jogador terá de usar um crédito. A barra de energia pode ser restaurada com comidas que aparecem em recipientes prateados pelo cenário, ou raramente deixadas por um inimigo. A barra de força pode ser preenchida com os itens de energia que os inimigos deixam assim que são eliminados. Cada pequena parte da barra de energia pode ser utilizada para desferir o gole especial de cada personagem (o golpe do botão X). O jogador estará habilitado a fazer isso sempre que a barra de energia estiver rosa. Porém quando a barra estiver completa, “é hora de Morfar!” (e surge uma mini animação digitalizada dos atores da série).

É Hora de Morfar!

É Hora de Morfar!

Quando os personagens estão transvestidos morfados, a jogabilidade irá mudar um pouco. Todos os Rangers terão o mesmo ataque aéreo (que agora é apenas um soco simples), rasteira, gancho, soco e eles ganham a habilidade de dar um salto mortal para trás [Baixo, B] e apenas a animação do Ranger Branco será diferenciada. Além disso, se o jogador conseguir encher novamente a barra de força poderá usa a arma especial do personagem que está controlando. Como o Sabre do Ranger branco, o Arco da Ranger Rosa dentre outros.

I'm Fu#$%in Diva! Bitch!

I’m Fu#$%in Diva! Bitch!

A barra de energia irá cintilar (como no modo humano dos personagens) e se esgotará depois de um período. Entretanto, se o jogador pressionar o botão de ataque especial [X] o personagem irá executar um ataque devastador (único) que atinge a todo os inimigos na tela e esgotará a barra de força independente da quantidade de energia que ela possua.

Falando um pouco mais de jogabilidade, diferente da versão anterior desse jogo, agora há o modo para dois jogadores. Os jogadores compartilham os mesmos créditos. Quando estão no modo normal eles sempre irão morfar ao mesmo tempo, mas a barra de força de ambos será reiniciada quando isso acontecer. E a partir daí começa a disputa pra ver quem pega mais energia.

Chutando Todas as Bundas

Chutando Todas as Bundas

Comparando ainda com o jogo anterior, a movimentação fixa dos personagens é praticamente a mesma. Exceto pelo fato de que há dois setores aonde será possível jogar. Sendo que para mudar de setor o jogador terá que apertar os botões de cima do controle [L ou R]. Esse sistema inicialmente é muito estranho. Mas você se acostuma e eles ainda fazem aqueles pulos de ginastas que aparecem na série de TV (o que ficou ausente na versão mais antiga da série do jogo).

A curva de aprendizado morreu aqui.

A curva de aprendizado morreu aqui.

Na versão anterior havia combate com o Megazord (isso ficou em um jogo separado deste) e um sistema de password. O que ficou de fora desse jogo. Mas não deixa de ter seu charme mesmo assim. Aliás, na última fase, aquela estilo Metroid, com tudo sendo destruído, na plataforma final do jogo aparece o braço do robô gigante para te resgatar da destruição da base do inimigo. E terminando numa imagem com uma perspetiva meio estranha dos Rangers e do Megazord. Mas nada que atrapalhe.

Muita gente reclama desse jogo pelo absurdo que é esse sistema de navegação em duas pistas do jogo. Em muitos outros jogos de Beat-’em-up o mais comum é que o personagem tenha a movimentação quase livre pelo cenário. Mas nesse caso, o seu personagem não chega a correr (já que na animação ele está sempre correndo) e o fato dessa movimentação ser meio bizarra, é pra dar o impacto daqueles pulos mirabolantes que os dublês heróis faziam durante a série. É meio estranho no inicio mas não é algo tão crucial a ponto de atrapalhar o andamento do jogo.

Adolescentes Gigantes

Adolescentes Gigantes

Do restante, alguns personagens fazem falta aqui. Uma aparição no Centro de Comando dos Rangers, ou o Alpha, ou até mesmo o Zordon! Até a descida Megaman Like tem no jogo! Podia ao menos ter o barulhinho clássico do relógio!

Bem, agora chega. Vou voltar para minhas férias na Alameda dos Anjos e esperar que nenhum Alien maluco destrua meus aposentos. Aliás, o prefeito dessa cidade deve puxar os cabelos toda vez que aparece um monstro por ali. E para uma cidade costeira com foco em turismo: como as pessoas ainda vão para lá? Tipo, o agente de viagens vendia isso no pacote? “Hospede-se em Alameda dos Anjos e ganhe de graça um estupramento por um Alien desconhecido! Toda semana um Alien diferente para entreter você e sua família! Venha e garanta já o seu lugar! Não fique de fora dessa!”.

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