Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Bioshock: Infaniquito

PuloDuplo05Z

Pois sim, joguei Bioshock: Infinite e é sensacional. Hmm, preciso arranjar um jogo ruim pra falar aqui na coluna… Mas não é o caso hoje!

Bioshock: Infinite (e você) acompanha(m) a jornada de Booker DeWitt. Ele foi contratado pelo “homem de Nova Iorque”(traduzir nomes é bom demais, experimente) para encontrar uma garota na cidade voadora de Columbia e trazê-la de volta.

Deslumbre-se

A cidade é incrível. Pelos primeiros 20 minutos aproximadamente, você está infiltrado nessa cidade, tentando agir naturalmente para não ser descoberto. Nesse tempo você vê como é a rotina de uma cidade voadora e como são seus cidadãos. E é maravilhoso. Temos música, estandes de tiro, estátuas gigantes, pessoas interessantes e muito, muito o que se ver. Mas, de repente, a ação começa e a dinâmica do jogo muda completamente.

Mas…

E se eu te disser que nada mudou?

… E se eu te disser que nada mudou?

A galera underground aí deve conhecer o tão falado Dear Esther. Pra quem não conhece, foi um jogo muito alardeado que trouxe uma discussão à indústria:

O quê um jogo precisa para ser considerado um jogo?

Dear Esther consistia basicamente em seu personagem caminhando (lentamente) por uma ilha, observando os cenários e obtendo pedaços de cartas, que ajudavam-no a montar o quebra-cabeças do porque dele estar ali naquela ilha e o que tinha acontecido com sua mulher. E, espero, quem raios era Esther.

Eu não terminei o jogo. Raios, nem cheguei em 25%. Quando eu disse que o jogo era sobre exploração, eu quis dizer que ele é sobre exploração. Não há ninguém para se interagir, nenhum inimigo para enfrentar, nenhum obstáculo para transpor ou quebra-cabeças para desvendar. Só a ilha a ser explorada.

A ilha é fascinante, tem que se admitir. Mas a exploração lenta (o personagem não corre nem pula) e a falta de desafios tira a vontade de continuar jogando. Pelo menos pra mim. Mas agora a dúvida: e se os criadores de Dear Esther inserissem alguns inimigos e desafios, apenas para te manter envolvido e desafiado? Como ferramentas para te fazer continuar jogando e apreciando a paisagem? Para conhecer a brilhante história que eles criaram?

Bem…

Já sou lindo, não preciso pensar

Bioshock: Infinite nos leva por essa jornada em busca da garota e, muito rápido, faz com que nos importemos com ela, chegando a fazer com que Booker (e você) questione(m) sua missão. E sempre com cenários de tirar o fôlego e sequências de ação de tirar o coração da boca de tão tensas.

columbiaBioshockFaniquito

– Deslumbre-se, ouviu bem?

A jogabilidade é simples, sem inovações para um jogo de tiro em primeira pessoa (ou FPS, se você preferir). Quer se proteger dos tiros em uma cobertura? Vá para trás dela e saia para atirar. Quer saber onde estão os inimigos, para não ser atacado pelas costas? Olhe ao redor.

O problema é que isso não difere muito da mecânica de combate do primeiro Bioshock. É divertido, mas existe a sensação de ser um jogo antigo. E os combates acabavam parecendo apenas obstáculos e desafios a serem transpostos para que você conseguisse escapar da cidade e, posteriormente, para que você conseguisse mais elementos que ajudassem a desvendar o mistério da trama.

Espera um pouco…

Ei, fui manipulado

A trama de Infinite é de explodir cabeças. Pra quem gosta de ficção científica, pra quem gosta do gênero Steampunk. E pra quem gosta de boas histórias.

Temos humor e diálogos ácidos para nos contar uma história sobre sangue e preconceito. Uma cidade fantástica e aparentemente utópica para nos falar da divisão, por vezes violenta, das classes sociais.

E temos um jogo todo para mostrar pra indústria como é que se faz um companion em um jogo. Desculpa Ashley, mas Resident Evil 4 seria um jogo bem melhor sem você. Logo que você resgata Elizabeth de sua prisão (sua “gaiola”), um aviso gigante aparece na tela do jogo:

“Você não precisa cuidar de Elizabeth. Ela não vai morrer, não vai entrar na sua frente nos combates e não vai ficar no seu caminho. No entanto, ela vai ajudá-lo, conseguindo itens e munição e atirando-os para você durante as lutas.”

Dito e feito.

capnascBioshockfaniquito

– Missão dada, parceiro…

E se você ainda não jogou, a Pulo Duplo fica por aqui. Obrigado pela sua visita e deixe seu comentário! Ajude-nos a melhorar =)

Até semana que vem!

[spoiler alert]

Sério, vai estragar sua experiência caso você não tenha jogado.

Sério, vai estragar sua experiência caso você não tenha jogado.

Eu tinha lido uma matéria falando sobre quão impessoal um FPS pode ser. Afinal, seu “avatar” em jogo é apenas uma arma, enquanto Elizabeth lê livros, se encosta na parede quando está entediada, canta, dança e se diverte.

E as reações do seu personagem ficam pra você, em casa, na cadeira. Como por exemplo:

Quando Elizabeth recupera a totalidade de seus poderes e teleporta-se, junto com você e o Songbird para a cidade submarina de Rapture, do primeiro Bioshock, eu tive uma crise de ansiedade. Falta de ar, mãos tremendo. Em suma, um faniquito.

Mas o Booker? Ah, ele estava surpreso e abalado, mas nem tanto. Valeu pela piadinha: “Uma cidade submarina? Pff, que ideia idiota.”

E agora sim, fim de Pulo Duplo por hoje. Deixa um comentário aí! Também teve crise? Não? Achou patético eu admitir que foi um faniquito? Conta pra gente!

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

About The Author

  • Jackson

    Bem, bem…

    Não dei a muita atenção pro jogo até tomar alguns spoiler ouvindo um podcast por aí… e como eu me arrependo de ter tomado aqueles spoilers.
    Mas, voltando.
    Estou muito na pilha desse jogo e depois de ver vc (Rafero) até então não curtia muito FPS gostando…. me animou mais ainda.

    PS: Apesar dos spoilers que já tomei, pulei a parte dos spoiler do seu POST.

    • rafero

      FEZ MUITO BEM!!! Essa parte eles não comentam no podcast haha!