Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Dead Space e Pokemon

PuloDuplo04Z

“Se apresse, Isaac! O vírus no seu corpo vai te matar em pouquíssimo tempo!”
“Claro, só um instante, enquanto eu exploro o outro lado da sala.”
“Explora? Como assim explora?”
“Ué, pra ver se acho colecionáveis, munição, armas novas…”

Calma aí, Sephiroth

Como muito bem disse um amigo meu, se um jogo quer te prender na narrativa, ele não deve te recompensar por fugir dela. E eu poderia muito bem terminar o post aqui.
Todo mundo (que joga videogame há pelo menos dez anos) conhece a sensação: você está numa situação-limite, nas suas mãos repousa a salvação do mundo e o último combate contra seu arqui-inimigo está prestes a acontecer. Basta uma última viagem em um navio voador, avião flutuante ou carro teletransportador e você alcançará seu destino, lutando contra o tempo para evitar que o fim do mundo chegue.

Mas antes uma partidinha de cartas pra completar o baralho, uma fotografia daquele monstro que você ainda não tem no seu álbum, ir ali esquivar de 300 relâmpagos, continuar cruzando galinhas até conseguir uma dourada, bater todos os recordes nos arcades, encontrar todos os símbolos de ratos, alimentar todos os pombos, habilitar todas as profissões, vencer o campeonato de polo aquático (com respiração submarina e golpes especiais)… ¹

Vamos lá buscar…

Nada contra os divertidos minigames e colecionáveis. De fato, sou apreciador e colecionador das mesmas desde antes dos trofeus. Mas só depois de zerar pelo menos uma vez. Muita gente (minha noiva inclusa) me critica porque eu me envolvo demais nos jogos. Ignoro chamados para desbravar tumbas em prol de salvar uma vida virtual. Não exploro o cenário, que um programador e designer passou incontáveis horas preparando, seguindo em busca do objetivo que me foi apresentado, normalmente com um senso de urgência maior que os personagens em jogo demonstram.
Mas eu sei que sou uma exceção. O normal é explorar mesmo. Em Dead Space, com o apertar de uma tecla, uma linha luminosa te mostra o caminho a seguir até o próximo objetivo. Daí, é só virar para a direção oposta e desbravar o cenário em busca de coisas escondidas. E você encontrará coisas escondidas. Itens, monstros, puzzles. Recompensas.

Nem te conto o que esses pássaros concedem...

Nem te conto o que esses pássaros concedem…

Vivemos em uma época onde os jogos têm de possuir uma história rica, personagens cativantes e ambientação densa o suficiente para submergir. Foi-se o tempo em que clones do Rambo correndo, atirando e matando alienígenas eram suficientes. Bom, Gears of War tá aí, mas enfim… Agora os personagens têm de ter motivação, as narrativas dos jogos têm de ter alguma lição envolvida. Side-quests do tipo “garoto de entregas” são malvistas, missões que não têm envolvimento com a trama são fortemente criticadas.

Mas existem. E trazem recompensas. E ficarão faltando na porcentagem final. Vão te impedir de “platinar” o jogo.
Então o que resta senão fazê-las? Senão sair do “mundinho” e ignorar as motivações dos personagens e da trama?
Um jogo que conseguiu fugir desse estigma foi o Walking Dead, da Telltale Games. Sem trofeus além dos conseguidos por ter concluído os capítulos, sem personagens extras para o seu grupo, caso você faça alguma side-quest de jogar polo aquático (com golpes especiais). Mas é claro, talvez as limitações do próprio estúdio, como orçamento e agenda mesmo, o tenha impedido de acrescentar esses itens. Mas ainda assim é um avanço.
Ou não. Colecionar coisas é divertido e fazem falta em um jogo. Bem como tesouros escondidos, pombos espalhados pelo mundo, peças de armadura, aqueles mini-games inexplicáveis…

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

¹ Na ordem: Final fantasy VIII, Zelda the Wind Waker, Final Fantasy X, Final Fantasy VII, Mass Effect 3, Kingdom Hearts, Septerra Core, Final Fantasy Tatics Advance, Final Fantasy X (de novo).

About The Author

  • Jackson

    Cara, como eu concordo com vc (afinal, o tempo que já gastamos conversando sobre isso seria mais que suficiente pra fazer todos esses mini-games/side-missions/esportes estranhos umas duas vezes).

    Com base nisso, a ultima coisa além de Walking Dead como vc citou, que teve uma ideia bacana foi (algum) Dead Rising, onde o jogo tinha tempo(de gameplay) determinado e quando o tempo acabasse: End Game (com direito a final sim…) então o controle ficava com vc, "Explorar aquela área vai consumir uma meia hora, vale a pena?"

    Mas acredito haver outras opções: Recompernsar igualmente bem o jogador que seguir com a história sem se desviar, dentre outras possibilidades.

    Isso aí, até.

    • rafero

      Boas ideias, como de costume (y)

  • Adele

    A noiva aqui se defende: Eu sempre fui desbravadora de jogos desde super mario 3 q eu podia voar pra pegar vidas escondidas. Normalmente eu voltava e fazia todo o caminho pra poder pegar todas as moedas e itens! Rycaaaaa!!! hahahahhaha!!! Acredito que deixar itens para trás pode prejudicar a jornada. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de jogar e se o jogo for bom eu exploro mais ainda pra não acabar tão rápido! exemplos: Resident Evil 4, Prince of Persia, God of War, Devil May Cry 3 Special Edition entre outros… os caras ficam milênios pra fazer um jogo cheio de coisas pra desbravarmos aí a pessoa (meu noivo) passa correndo…

    • rafero

      Pessoas (e às vezes o mundo) dependem de mim! Não tenho tempo pra procurar moedas!!! hahahaha

      • Adele

        Blá blá blá! hahahhahahhahha!!! Sempre há tempo! Com exceção de super mario… rs!

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