Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Dota 2 e Wolf Maia

Dota2Banner

Dota é um jogo difícil. A curva de aprendizado é árdua e extensa. Você precisa se dedicar por dezenas de horas pra aprender as mecânicas do jogo. E isso assusta. Quem está disposto a investir 50 horas só pra aprender a jogar? E pra ser um jogador bom e competitivo… Bem, eu estou jogando há quase dois meses e ainda sou menos que medíocre (não que eu sirva como base de comparação). Ele pode até parecer hostil, mas não deveria. É divertido aprender a jogá-lo. Ver-se não cometendo mais tantos erros ou conseguir ajudar seu time a conquistar a vitória é muito satisfatório.

E, além de tudo, Dota 2 é um dos jogos que mais incentivam a interpretação do seu personagem.

(Adianta eu pedir pra vocês deixarem o hate e o preconceito com o tipo do jogo de lado e ler a coluna de coração aberto?)

Como é?

Analisemos o seguinte cenário:

Você inicia uma campanha em Mass Effect e escolhe a classe Vanguard. Seu personagem é o “tanque” do esquadrão, já que seus escudos serão mais fortes. Sua especialidade é a shotgun, que causa mais danos de perto. Sem perceber, você se verá realmente sendo a vanguarda do grupo, correndo pra cima dos inimigos, enquanto seus aliados tomam posições estratégicas para te ajudar.

Digamos que você conclua a trilogia. Depois de alguns dias amargando a saudade daquele universo, você inicia outra campanha. Dessa vez você vai fazer diferente, a começar pela classe. Será um Infiltrador, um atirador de elite. Ainda com os “vícios” da campanha anterior, você parte pra cima dos inimigos, rifle na mão e… Morre em segundos. “Ah, é.” Você pensa. “Eu troquei de classe.” E aí você fica pra trás do grupo e dá ordens para eles se posicionarem, de forma a atrair os inimigos pra fora da cobertura, deixando-os vulneráveis aos seus poderosos tiros. Viu? A limitação de sua classe o incentivou a “interpretar” seu personagem.

- Acho que fui manipulada.

– Acho que fui manipulada.

Se você for como eu, é claro que de resto, tudo será igual. Você escolherá salvar os mesmos personagens, tomará as mesmas decisões… Pra quem não conhece, Mass Effect é cheio de decisões morais que realmente afetam o caminhar da história. Essas decisões se dividem basicamente em dois caminhos: Paragon e Renegade. Embora a finalidade seja basicamente a mesma (“Salvar o universo”), ambas apresentam abordagens diferentes.

Por exemplo, uma base foi atacada por alienígenas que todos consideravam extintos. Um cientista foi o único sobrevivente e ficou meio louco, ao ver todos os seus amigos e conhecidos serem “coletados” como frutos em uma plantação. Ele fica balbuciando coisas sem sentido em frente a um computador e você precisa que ele volte a si, para saber mais sobre o ataque. A atitude Paragon seria acalmá-lo, fazê-lo ver que os atacantes já se foram e que ele está seguro agora.

A escolha Renegade seria atirar no computador e ameaçar matá-lo caso ele não volte ao normal.

E como eu disse, se você for parecido comigo, nenhum personagem de videogame é um personagem. Eu tenho a tendência a “entrar” no mundinho do jogo, realmente vivendo a aventura. Então eu não saio do caminho para procurar itens, se tem alguém gritando por ajuda no rádio. Da mesma forma, eu não consigo (sério, não consigo) tomar atitudes Renegade. Pô, coitado do cara. Assim, quando eu rejoguei Mass Effect, as decisões e caminhos foram basicamente os mesmos. Convencer Wrex que ele está errado, ao invés de matá-lo quando ele me desafiou pela liderança do grupo. Salvar a Rainha de uma raça insetóide, escolhendo confiar em sua palavra de que não causaria mal ao universo, mesmo que isso colocasse milhares de outras vidas em risco. Vencer o duelo de tiros com Garrus, afinal ele é seu melhor amigo. Ele merece que você jogue a sério. E, claro, escolher o romance com a Jack.

Jack é a da direita, gente.

Jack é a da direita, gente.

Esse papo tá indo pra algum lugar?

Ah, sim. Dota. Pra quem não conhece, um breve resumo:

Dota (Defense Of The Ancients) é um mod de Warcraft 3, onde você joga apenas com os heróis, sem precisar coletar minerais ou madeira, nem construir exércitos. Em um mapa específico, dois times de cinco pessoas se enfrentam com o objetivo de destruir o Ancient adversário, um pedregulho gigante com um monte de pontos de vida. O mod fez um sucesso absurdo, dando origem a um novo tipo de jogo, o MOBA (Multiplayer Online Battle Arena). Como ele era apenas um mod, a jogabilidade era muito truncada, já que o foco de Warcraft não era o controle exclusivo dos heróis. Outros jogos surgiram inspirados em Dota, como League of Legends, o grande sucesso dos E-Sports.

Anos mais tarde, surgia Dota 2, um jogo à parte de Warcraft. Ele foi feito com a ajuda do criador do mod original, o lendário IceFrog, e veio cheio de “facilidades” para novos jogadores. Interface limpa, teclas bem localizadas, um tutorial. Essas coisas. E claro, gráficos melhores, mais personagens, servidores dedicados… E um torneio que pagou mais de um milhão de dólares aos vencedores. Essas coisas.

insane

Voltando ao tópico da coluna (lembra dela?), eu falava sobre interpretação de personagens. Em Dota, cada herói tem uma tabela de habilidades, que você evolui durante a partida. Normalmente, essas habilidades respeitam o “tema” do personagem. Então um curandeiro vai ter habilidades de cura, um caçador de recompensas vai ter habilidades de se esconder e causar muito dano de uma vez, além de conseguir ganhar mais dinheiro que o normal com cada herói inimigo abatido.

Tá muito óbvio para onde eu estou levando o raciocínio? Ótimo. Eu quero falar de um herói específico aqui: O Bloodseeker.

Esse simpático aqui.

Esse simpático aqui.

O histórico do Bloodseeker nos conta que ele é um enviado de criaturas malignas ao nosso mundo. Essas criaturas se alimentam de sangue e necessitam de quantidades absurdas para se manterem satisfeitas. Com as runas em suas armas e armadura, Strygwyr, o Bloodseeker, envia diretamente a seus mestres todo o sangue que ele derramar. E suas habilidades envolvem coisas relacionadas a sangue, como era de se esperar. Uma delas faz o sangue do alvo ferver, fazendo que ele se entregue a uma fúria berseker. A outra abre diversos ferimetnos no alvo, fazendo-o sofrer dano caso se mova.

E a habilidade que eu quero falar aqui… Faz com que Strygwyr fique mais rápido e mais forte quando próximo de um herói inimigo ferido, mesmo que não possa vê-lo. E isso te faz ficar caminhando por aí, literalmente caçando seus adversários. Interpretando o personagem.

É algo comum de ver em jogos hoje em dia, mas me agrada muito ver sendo feito de formas não-óbvias assim. E isso me faz ficar cada vez mais viciado em Dota.

Quem sabe um dia eu não fique menos medíocre?

Vale lembrar que Dota 2 é GRÁTIS. Se você quiser encarar o desafio, basta fazer o download do Steam, também grátis, e sair jogando. Se você já tiver uma conta, adiciona raferopilgrim lá pra gente jogar juntos!

Até a próxima!!!

(Mais de um milhão de dólares. Wow.)

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

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