Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Dragon Age e Guerreiras Mágicas de Rayearth

PuloDuplo06Z

“Aqui, meu filho. Enquanto nosso castelo e família se desfazem em sangue e fogo, leve esta espada consigo. Que ela sirva para que sempre se lembre de suas origens e seu dever. Agora vá e viva.”

“Eu prometo pai, nunca esquecerei!”

(Cinco minutos depois)

– Ulha, essa espada aqui causa dano de fogo! [Descarta ‘Family Sword’.]

O caso acima acontece logo no prólogo dos humanos em Dragon Age: Origins. Seu personagem, o príncipe, vê sua família ser traída e assassinada por um falso aliado de seu pai. Antes de fugir escondido, o heroi recebe uma espada, tirada do tesouro pessoal da família. Uma boa espada, que causa dano considerável e ainda concede bônus em atributos.

O problema é que esses valores não acompanham o desafio. Em pouco tempo, toda luta é uma batalha épica, não importando o nível do inimigo, visto que os golpes do heroi causam pouquíssimo dano. Só lhe resta abandonar a lâmina e procurar uma mais forte, ou sofrer pelo resto da campanha.

Tem louco pra tudo…

Em Final Fantasy 8 (assim como em Septerra Core, caso alguém além de mim conheça), seu personagem tem apenas uma arma e vai evoluindo-a durante o jogo, seja melhorando a lâmina, embuindo magias, entre outros. Em Megaman, a única coisa que muda são as “munições”, quando você copia o tiro dos chefões derrotados, mas na série Megaman X, você ainda pode conseguir peças de armadura que melhoram dano, salto…

Bom. Em FF8 (e Septerra Core), o personagem principal tem motivos pessoais para não trocar de arma e não caberia esse tipo de mecânica, levando sua história em consideração. Já em Dragon Age, o motivo fica por conta do jogador. Se a história foi bem contada e você foi levado a se importar com o heroi e seus familiares, você não vai querer largar aquela espada. Seja para vingança ou pela justiça, aquela lâmina representa seu dever.

Broadsword evolui paraaa…

Em Dragon Age, o jogador toma muitas decisões no decorrer da história. Por exemplo:

Vale a pena arriscar um aliado para salvar um garotinho possuído? Ou é melhor visar o bem maior e manter seu grupo o mais forte possível, matando o garoto ali mesmo?

Um assassino que falhou em matá-lo agora está jurado de morte e promete ajudar o heroi na missão, contanto que este o proteja. Vale arriscar e confiar?

Seu aliado diz que ajudar um vilarejo é um desvio na missão principal e o desafia pela liderança do grupo, caso você insista. Sabendo que aquele aliado sempre luta até a morte, o que vem primeiro? O grupo ou os inocentes?

DragonRayearthPhilo

Com esse estilo de jogo, ficaria muito estranho caso não existisse a opção de manter ou abandonar a espada. Porém, não existe benefício algum para o jogador que decida mantê-la e utilizá-la até o fim.

Em uma atualidade de trofeus e achievements, bastaria uma janelinha na tela dizendo “Matou o traidor com a Family Sword!” para o jogador se sentir realizado. Ou, melhor ainda, caso os benefícios acompanhassem a evolução do personagem.

– Mas Pokémon de novo?

É claro que conseguir itens novos é grande parte da diversão. Ora bolas, era minha única diversão em MMORPG’s.

Completamente diferente.

Super valeu a pena.

É prazeroso fazer uma missão paralela, ir até o topo da montanha, desbravar um templo em ruínas e derrotar o Rei Esqueleto na última sala para conseguir sua armadura e espada longa. Lâmina esta que concede bônus em força, além de envenenar o alvo. Esforço e recompensa.

Para passar o jogo todo com apenas uma lâmina e sair satisfeito disso, seria necessário mudanças nos diálogos (“- Nossa, quanta determinação!”), bônus nas habilidades do heroi (“- Esta lâmina é como a extensão do meu braço!”) ou, melhor ainda, caso a arma evoluísse magicamente com formas e habilidades cada vez mais esdrúxulas e exageradas.

- Mas essas ainda tão simplezinhas...

– Mas essas ainda tão simplezinhas…

Ou talvez não…

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

About The Author

  • Jackson

    Ô…

    Como ainda quero ver essa ideia de armas evolutivas em um jogo bacana!!!

    • rafero

      Eu ia colocar tua ideia da espada do trovão, mas resolvi evitar uma perda de propriedade intelectual hahaha

  • Adele

    hahahhaha!!! Morri aqui com “- Ulha, essa espada aqui causa dano de fogo! [Descarta ‘Family Sword’.]”
    É foda mesmo!!! Eu teria uma certa dor em descartar a espada…

    • Hehehehe então vc tá jogando do jeito certo!

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