Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

KOF e Caminhadas na Praia

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Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem.

É bem patético, eu sei.

Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

(Estou escrevendo esta coluna antes de tentar me preparar para um KOF Night que não poderei comparecer. Cola lá no Facebook do site, pra saber como foi!)

Gosta: Vintage Jeans; Desgosta: Lesmas

O nível de profundidade que é dado a cada lutador em The King of Fighters.

Juro, chega a ser assustador abrir a página deles na SNK wiki e ver toda aquela trívia, ao lado de um histórico profundo e detalhado. Tipo sanguíneo, hobbies, preferências, parentesco, emprego, habilidades especiais (não ligadas ao combate)…

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E é o tipo de coisa que ninguém tá nem aí. É só ligar o joguinho, escolher o lutador e enfiar a porrada nos amiguinhos. Que diferença faz saber que o cara é bom em Hockey e gosta de escrever poesias? O importante é que ele solta foguinho pela mão e dá shoryuken de fogo, mesmo que não seja um shoryuken de verdade, porque esse golpe é de outro jogo.

Mas convenhamos: É um shoryuken.

Desgosta: Pickles; Talento no esporte: Sumô

Esse nivel de detalhe normalmente não é percebido, porque afinal de contas não é esse o foco do jogo. Por exemplo (e um exemplo que eu tenho usado muito ultimamente), Streets of Rage.

Eu, moleque, só consegui desvendar em todo aquele inglês no começo do jogo que o Axel era um ex-policial. De resto, o B socava, o C pulava e o A soltava o especial, que consistia em um carro de polícia encostar e atirar com uma bazuca no meio de todo mundo. Ali, no meio da cidade. Onde você está, inclusive.

Acho que a saída do Axel da polícia não foi muito bem recebida.

- Fuck this shit!

– Fuck this shit!

A questão é que pra mim bastava ir caminhando da esquerda pra direita (e da direita pra esquerda na maldita fase final) e descendo a porrada em todo mundo que aparecia. E às vezes levando porrada, mas a coluna é minha e eu posso parecer bom se eu quiser. Não que eu consiga, mas eu posso tentar. Tá, não vou nem tentar.

Golden Axe é outro bom exemplo. Tem toda uma trama envolvendo um tirano e um, hã, Machado de Ouro. Cada um dos personagens jogáveis tem uma motivação pra estar arriscando o pescoço na busca pelo Machado, além da salvação do mundo. Existe um motivo para cada um deles manipular um elemento específico, além de existir uma razão para estarem juntos nessa busca.

Quero dizer, deve ter né. Sei lá. Nunca fui atrás pra saber.

Talento no esporte: Bilhar; Habilidade especial: Criar coquetéis

Saber que existe todo um pano de fundo me fez correr atrás de ainda mais informações. A SNK publica praticamente e-books sobre a formação de cada time nas edições de KOF, cheio de piadinhas, diálogos, encontros e desencontros.

Depois de consumir tudo que havia para ser consumido (alguns diriam que sou meio empolgado), fui pesquisar sobre os outros jogos de luta. “Nossa!”, pensei, “Imagina a quantidade de coisa legal em Mortal Kombat! Ou em Tekken! Nossa, Tekken! Deve ter tanta coisa maneira sobre cada um dos lutadores! Se os criadores deram tantos trejeitos pra eles enquanto lutam, imagina quanto detalhe no plano de fundo!”

Er…

johnny

Basicamente, todo mundo em Tekken quer ganhar o “King of Iron Fist Tournament” (!!!) por causa de dinheiro. Seja pra reformar o dojo, seja pra simplesmente ficar mais rico. Essas tramas de vingança, aperfeiçoamento pessoal e busca pela verdade vieram depois com as versões mais novas.

Em Mortal Kombat, nem isso. Eram só os lutadores enfrentando uns aos outros.

E estava bom assim. Está ainda melhor agora, principalmente em jogos que não são de luta. Quando um jogo grande termina, a sensação de vazio que fica por ter terminado aquela saga é meio preenchida com pesquisas desse tipo.

A sensação é completamente preenchida jogando e rejogando outra vez, até enjoar. Tento evitar, mas nem sempre é possível. Por exemplo…

Habilidade especial: Saber as medidas de qualquer mulher, apenas olhando-a de relance

Em Mass Effect, a sua companheira e técnica em engenharia, Tali Zorah, diz que não pode voltar ao seu planeta natal. Caso você pergunte, ela irá contar que o planeta foi tomado por seres tecnológicos (é complicado usar palavras como “robô” hoje em dia).

Caso você pergunte mais, ela explicará que não pode remover o traje espacial, pois nenhum membro da sua raça, os Quarians, possui anticorpos. O motivo para isso é que em seu planeta natal, não existiam insetos. Ao jogador, só resta continuar jogando e tentar não se sentir muito frustrado por não existir a opção “Ir até Rannoch chutar a bunda de todos os ‘robôs’ e viver lá pra sempre, a vida toda, pra sempre mesmo sabe”.

Shepard errado, mas sensação certa.

Shepard errado, mas sensação certa.

(Mas tudo bem, em Mass Effect 3 você recebe a chance de tentar salvar o planeta.)

Essa profundidade toda é dada a cada um dos personagens de Mass Effect, com a diferença que você pode interagir com cada pano de fundo. Em RPG’s, principalmente os japoneses, você pode interagir até demais.

Quem não lembra de aceitar fingir que a Yuffie era a líder do grupo ao retornar para a cidade natal dela, para que ela “ficasse bem na fita” com seu pai?

E quem acredita que esses foram bons motivos para poder falar, mais uma vez, de Mass Effect em uma coluna que não tem nada a ver com ele?

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

(O título e cada um dos tópicos contém informações reais das bios de lutadores de KOF. Você consegue adivinhar quem são?)

About The Author

  • Jackson

    Hahaha

    Rafero falando de jogos de luta, tái:
    “Surpresa boa e surpresa de qualidade.”

    Cara, muito bacana o texto e ” Eu tbm me empolgava fácil e me decepcionei fácil” !!!

    Quando jogando ainda KOF 97, descobri as Bios que vc cita e me animei, animei tanto que pensei, não acreditei que jogos de luta teriam histórias boas.
    Me decepcionei!!!
    Street Fighter e Tekken foram os ápices dessa decepção. Mas hoje me acostumei (acho) e vamos levando a vida.

    Mas agora, concordem ou não (Essa vai para os jogadores de GURPS): Boa parte das características me lembram muitas “peculiariedades” pra ganhar aqueles “-5 pontos” , rsrsrs

    Até

    • Pois é cara, talvez hoje em dia tekken e sf tenham mais detalhes, mas até segunda ordem, KOF é campeão nesse quesito rs
      E sim, parece peculiaridade mesmo. Eu lembro que tinha um chefão de alguma das edições que amava e odiava a mesma coisa, tipo “Geleia de polvo”.