Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Lara Croft e a Arca da Iteração

Pulo-duplo01Z

E o novo Tomb Raider é excelente e vale sua compra. Se era só isso, obrigado pela visita!

Pois bem, o debate Tomb Raider vs Uncharted já está até desgastado e, em algum lugar da internet, alguém deve ter proferido a “Resposta Definitiva” para este dilema. O caso é que eu não sei onde está essa resposta e espero de coração que você a tenha, para pôr fim às minhas mazelas (não todas, mas pelo menos essa).

Mas antes da iluminação espiritual, vamos ao jogo.

Reboot, Recomeço, Reset, Atualização…

O novo Tomb Raider se propôs a ser um novo começo, uma “releitura”. Mas ao invés de ser um remake, como Devil May Cry, os criadores proporam uma “prequência”, contando a origem da Lara e como ela se tornou a destruidora de objetos raros e exterminadora de vida selvagem, como todos conhecemos.

Bem, mais ou menos. Ela já começa o jogo usando armas com a precisão de uma sniper e escalando como uma alpinista profissional, mas tudo isso é explicado com o mentor dela dizendo “Não se esqueça do que te ensinei, Lara” em um momento da história. Bom, não explica, mas pelo menos os criadores reconheceram a ponta solta.

- Fazemos o que podemos.™

– Fazemos o que podemos.™

Os gráficos são aceitáveis para as medidas exigentes da nova geração (isto é, garotos adolescentes mimados e reclamões), jogabilidade e câmera atualizados para se adequarem aos padrões atuais, vocês sabem. Essas coisas. Pelo trailer a caça parecia que ia ter mais peso na história, talvez barras de stamina e saúde que diminuíssem com o tempo, mas não. Você caça obrigatoriamente apenas uma vez e serve só como introdução à mecânica do arco.

Por falar em arco…

HEADSHOT!

Até hoje não conheci nenhum outro jogo onde um Headshot me deu tanta felicidade. Felicidade? Que o linguajar vá pra uma ilha perdida, deu prazer mesmo. Não sei explicar os motivos, podem ser os efeitos sonoros, o clima pesado do jogo ou o sentimento de vingança.

Porque desde os trailers a frase mais proferida era “Coitada da Lara, mano!”. Claro, substitua “mano” por qualquer interjeição de sua preferência. Conquanto não seja “truta”. Truta não. Mas a Lara sofre demais nesse jogo. Demais. Nem tanto quanto quem fala “truta” deve sofrer no dia a dia, mas ainda assim ela sofre bastante.

Vamos falar dos antagonistas.

Temos animais (malditos lobos!), rios turbulentos, árvores caindo, árvores pegando fogo, árvores pegando fogo e caindo em rios turbulentos e as clássicas cavernas desmoronando. Coisa que obrigariam o Rambo a algumas caretas de dor e vários comentários sarcásticos do Bruce Willis. Mas, lembremos, estamos falando de uma jovem Lara Croft. Já que essa interessante parte de seu passado foi suprimida, podemos apenas supor que ela era uma garota rica que gostava de esportes de adrenalina, mas tudo com segurança e sem metade da diversão.

Dá pra sentir o tédio de longe.

Dá pra sentir o tédio de longe.

 

Mas temos inimigos humanos também! Insanos, armados, perigosos e querendo o mal da pobre exploradora incidental, os habitantes da ilha vêm de diversas partes do mundo e acabaram presos ali, devido a estranhas tempestades que não os deixam sair e nem qualquer resgate chegar. Quase um triângulo das bermudas. E tudo isso, provações para tornar a Lara uma heroína durona. Ela vai cair, sangrar, quebrar ossos, se cortar, ser capturada, espancada e mergulhada num lago de sangue, entre outras coisas tão agradáveis quanto.

E eles maltratam tando nossa pobre protagonista que talvez seja essa a explicação de tanto prazer em, sorrateiramente, acertar uma flecha na cabeça de um capanga desavisado. Quando se aprende a fazer flechas incendiárias então…

Mas ainda assim é muito angustiante, praticamente uma Síndrome de Estocolmo digital. Passa-se tanto tempo sofrendo que qualquer alegria, por menor que seja, encanta a gente. Aí fica o dilema, porque você quer ver como a história continua, mas você também sabe que mais sofrimento te espera na próxima esquina.

Coitada! Ultimamente os herois-aventureiros-que-buscam-tesouros-perdidos estão tendo dificuldades em exercer a profissão, mesmo que a profissão ainda esteja no futuro. Ou, no caso da Lara, no passado, que é o futuro do jogo atual e… bom, não tá fácil pra ninguém. Nem pra ela, nem pro…

Desmapeado, ó pá

Nathan Drake, Sully e o resto da gangue de Uncharted, que muitos gostam de dizer que “é o Tomb Raider com um cara no lugar da Lara e bem mais cinematográfico”.

Uncharted é uma série excelente, com momentos e personagens memoráveis. Cada jogo é uma aventura independente e te engana de forma a parecerem episódios conectados, como a vilã apresentada no terceiro jogo (que foi o primeiro que vi), que é recebida com reações tão amedrontadas pelos personagens que eu acreditei de verdade que ela fosse uma inimiga recorrente. A jogabilidade é divertida, a história cativante e os personagens carismáticos. Se você tiver um PS3, corra atrás. Corra mesmo, porque o jogo é tão bom, que os criadores do novo Tomb Raider resolveram pegar alguns elementos “emprestados”.

Mas espera um pouco…

Eu não entendo muito de Física Teórica (mal manjo de Educação Física), mas vocês especialistas tem certeza que isso não gera um tipo de paradoxo?

Temos Indiana Jones que inspirou todo mundo; aí a equipe de Tomb Raider durante a criação do primeiro jogo, ao invés de usar um protagonista homem, decidiram que já que passariam horas olhando pra bunda de alguém, que pelo menos fosse uma bunda bonita, o que nos trouxe a tão famosa Lara (junto com o “erro” de programação que deixou seus seios 150% maiores… erro, sei…); anos depois, temos Uncharted, revolucionando não só o segmento de jogos de aventura, mas toda a forma da indústria de contar histórias interativas em jogos; aí temos Tomb Raider de novo, implementando esses novos elementos trazidos por Uncharted.

- Mas e eu, onde fico?

– Mas e eu, onde fico?

Eu conheço algumas pessoas que se afastaram de Uncharted justamente por afirmarem ser uma cópia de Tomb Raider. Será que essas mesmas pessoas se recusarão a se juntar à nova desventura de Lara? Ou como ela veio primeiro, ela não pode ser acusada de copiar? No fim das contas, faz diferença quem copia quem, contanto que o jogo seja divertido?

(Dica: agora é o momento que você elucida a todos nós e nos ajuda a dar mais um passo em direção à iluminação pessoal. Toda a equipe agradece de antemão.)

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

About The Author

  • Adele

    Esse pessoal que fica criticando falando que um jogo é cópia de outro e blá blá blá é muito chato! Jogo foi feito pra ser jogado! As pessoas esquecem da diversão e ao invés de reclamar dos males sérios da vida ficam reclamando de algo que seria pra descontrair! Não quer jogar não joga, né, amigo? E se o jogo é bom que mal há em copiar? Ruim seria se copiassem um jogo chato!

    Daniele diria pra esse povo: Vocês são todos uns otários!!! hahahahhahahaha!!!!

    • rafero

      Minha cunhada "Faca Quente da Verdade" é foda aehuaehuaehuaehae
      E eu concordo!

  • Jackson

    Terminei o jogo a poucos dias e adorei!
    Uma das poucas ressalvas que faço é justamente sobre a Lara apanhar tanto, isso acontece até metade do jogo depois diminui drasticamente e sinceramente acabou um pouco com o suspense, afinal as pontes não caiam mais e essas coisas.
    sempre a todos!

    • rafero

      Ela pegou o jeito, ué!