Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Robocop e o Jardim Secreto

PuloDuplo08Z

Esses dias eu tava andando aqui em casa e tive um pequeno flashback.

Lá estava eu, com menos de dez anos, sentado na frente da TV com o controle de Master System na mão. Era, provavelmente a ducentésima vigésima sexta vez que eu jogava Robocop vs Terminator. Já sabia onde estariam os inimigos, quais janelas dos prédios teriam itens e, obviamente, sabia que os chefões não tinham estratégia além de “chegar-nele-com-muitas-vidas-e-atirar-que-nem-um-louco”.

Até que eu resolvi variar e tentar passar da primeira fase sem tomar nenhum dano.

Eu estava tendo que ser mais cuidadoso. Mirar melhor os tiros. Correr menos riscos. E atirei de baixo pra cima em um inimigo. Pra quem não sabe, nesse jogo havia a possibilidade de atirar em todas as direções, incluindo nas diagonais. Felizmente, nesse caso, para atirar para as diagonais superiores, Robocop precisa estar em movimento (porque você está apertando pra cima e pra frente ao mesmo tempo).

Ao fazer isso, eu passei por baixo de uma janela específica.

E a frase “YOU FOUND O.C.P. SECRET ROOM – OBJECTIVE: COLECT LIVES” ficaria na minha cabeça por muito tempo.

Freaking out

Eu joguei com muito nervosismo. Não sabia o que ia encontrar na fase inédita que começou naquele momento. Na época, quase instintivamente, eu já sabia que programadores nunca pegam leve em fases bônus. E aquela fase tinha vidas proporcionais ao número de inimigos:

Talvez não fossem tantos, mas pra minha mente juvenil, eram muito mais que eu podia lidar.

Eu quis sair contando pra todo mundo, mas acredite nessa bizarrice: quase ninguém tava nem aí pra Robocop de Master System.

no-shit-sherlock-2

Aquela era a época de encontrar fases secretas em Super Mario no Super Nintendo e ninguém queria saber de qualquer outra coisa. Era até vergonha não ter o SNES. Então, solitário, voltei a jogar e jogar Robocop até que enjoei e nunca mais mexi. Tempos depois passei para Mega Drive e não tive outro console desde então.

De volta aos tempos atuais. Quando esse flashback terminou eu corri pro computador e procurei pela fase, pra ver se era como eu lembrava.

E não achei evidência alguma. Existem vídeos da versão de Mega Drive (com aqueles chiptunes incrivelmente explosivos) com sua própria sala secreta, mas não a de Master System. Nem em textos, nem relatos. Nada.

Isso me fez achar que eu tinha alucinado isso tudo, até porque recentemente eu li uma matéria falando sobre como nosso cérebro costuma forjar lembranças, tanto pra explicar coisas do nosso passado, quanto apenas para entretenimento pessoal. Aí, como todo bom ser humano honesto, eu “peguei meu console no fundo do baú, encontrei a fita, limpei o bolor e comecei a jogar”. Se é que vocês me entendem.

Nostalgia

E que sensação legal!

Como andar de bicicleta, meu corpo lembrava mais que minha memória onde estavam os inimigos e itens (ótima utilização de neurônios). Acho que eu joguei isso muito mais do que imaginava. E, sem demora, encontrei a sala secreta.

Foi meio decepcionante, porque era muito mais fácil que eu lembrava e não tinha mais que três vidas na fase toda. Talvez eu devesse ter deixado na memória. Mas o ponto é que a fase estava lá e não era uma alucinação.

...

Pelo menos dessa vez não era.

Mas isso me deixou pensando quão legal foi encontrar a sala sozinho, pelo meu próprio esforço (e dedicação ao repetir aquela fase tantas vezes). Me lembrou do relato do criador do jogo Adventure de Atari, que escondeu seu nome no jogo, já que a empresa nunca dava créditos aos programadores.

O que me levou a ponderar: usar detonados é divertido?

– Ah, eu sou Toguro!

Claro, eles ajudam você a fazer os 120% do jogo, encontrar todos os itens, roupas, aliados, passarinhos… Mas será que ele não está roubando parte da diversão?

Existem os detonados que não entregam a história, dizendo apenas coisas como “Leve bastante poções nessa missão. Ao final você enfrentará um inimigo que é vulnerável a magias de cura, ao invés de dano, e é melhor você poupar seu curandeiro”.

- Let's deal with this shit.

– Let’s deal with this shit.

O quanto disso estraga sua experiência? Você pode até não saber quem é o inimigo, mas saber que haverá um morto-vivo pode entregar a história, dependendo da situação.

E não precisa ser tão específico assim. No meu caso por exemplo, teria sido tão memorável encontrar a sala secreta se eu tivesse lido sobre ela antes?

Agora, eu preciso dar o braço a torcer, porque existem segredos nos jogos de hoje em dia que são praticamente impossíveis de serem encontrados sem ajuda. Não existem menções em lugar algum, nem boatos, nem referências. Nada.

Sim, Fable 1 e 3, eu estou falando com vocês.

About The Author

  • Adele

    Eu prefiro descobrir as coisas por mim mesma. Fico horas e horas nas fases procurando itens. É muito mais legal assim… Consultar um detonado qnd vc já esgotou todas as possibilidades é até válido. A 1ª vez q fiz isso foi jogando Ico, tinha uma plataforma q empurrava pra cima e eu não via… Depois pensei "porra q idiota q eu sou de não ter tentado isso"… q burra dá zero pra ela! hahahahahha!!!

    • rafero

      Hahaha concordo que da segunda partida em diante é válido.

  • Jackson

    Hahahaha

    Ah, a Nostalgia… a memória deixa tudo muito MUITO mais belo.

    Sobre o assunto em si: Concordo. Jogar com Detonado é menos legal!!!
    Mas… jogar hoje em dia é muito mais trabalhoso que antigamente!!!

    Por que?

    O seu caso Rafero, é parecido com o meu. Quando menor, tinha pouquíssimos jogos (em qualquer dos consoles que tive). A grana de um garoto é muito, muito curta, então…. todos os jogos eram jogados à exaustão.

    Enduro, PacMan, Pitfall e River Raid (Atari);
    Sonic 1 (Master System);
    Street Fighters Alpha 2, MegaMan X4, Marvel SuperHeros (Sega Saturno)

    Só mesmo quando cheguei no PS1 é que a possibilidade dos "Alternativos" chegaram até mim e daí em diante, não haveria mais tempo pra jogar, rejogar, rerejogar e etc… pois já havia o próximo jogo na fila (MALDITA FILA DE JOGOS!!!). E foi nesse momento que os detonados começaram a fazer parte.

    Com jogos cada vez maiores (RPGs de 70 ~ 100 Horas), fica dificil vc rejogar pra pegar todos os itens, afinal "A Fila Anda"

    Hoje em dia tento ponderar sobre o uso dos detonados. Jogos curtos, jogo sem e se gostar muito do jogo rejogo com detonado pra "Platinar"

    ISso aí.
    Ótimo post e com tema muito bacana!!!!
    Parabéns.

    PS: Voce podia ligar esse seu "Master System" na "placa de captura" e postar essa fase secreta que só você achou!!!!

    • rafero

      Ó o X4 aí hahaha
      Vlw pelo comentário 😉

  • Samir Rolemberg

    geralmente minhas jogatinas são sem revistas. e aproveito o máximo que posso.

    mas quando, é um jogo muito extenso (um rpg) eu acabo usando. sei que vou ficar travado num canto por conta de um item qualquer. não tenho tempo mais pra isso! hahaha