Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Sleeping Dogs e Tony Tony Chopper

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A primeira vez que eu sequer ouvi falar do Bruce Lee, foi no jogo de Mega Drive. Nunca fui muito bom com jogos de luta, então não progredi muito e logo enjoei, voltando minha atenção pra Streets of Rage e sua maldita última fase.

Meu irmão viu a fita do Bruce jogada e perguntou sobre. Logo, ele estava me contando quão incrível era aquele lutador. Me contou também de que ele havia morrido muito jovem e tal. Mesmo assim, anos e anos se passaram sem que eu tivesse visto um único filme. Pois é.

Pra ser sincero, eu só fui ver algum filme dele ano passado, logo após terminar Sleeping Dogs. E como eu ME detestei…

(Não que precise muito pra eu me odiar)

Em Busca do Tempo Perdido

Sleeping Dogs, também conhecido como “GTA em Hong Kong”, se passa em… hã… Hong Kong, e conta a história de Wei Shen, policial infiltrado na máfica chinesa, que busca vingança pela morte de sua irmã. Simples, direto e funcional.

Eu não tenho um histórico muito grande com GTA. Pra ser sincero, o único que joguei foi o 2, que ainda tinha aquela visão estranha de cima. Na época, eu era muito novo (e nem devia estar jogando GTA, na verdade) e meu inglês era MUITO capenga. Não entendia metade do que era dito, não conseguia compreender os objetivos das missões e não sabia nem o que o personagem buscava naquela cidade.

Quando tinham setinhas a serem seguidas, eu as seguia, mas na maior parte do tempo, a única coisa que eu fazia era ficar andando por aí, pegando carros, atropelando pessoas e causando caos na cidade e tentando fugir da polícia em seguida. Uma das únicas vezes que eu acho que consegui algum tipo de progresso foi ao perceber que causando danos a uma parte da cidade, eu subia “no conceito” de uma organização criminosa rival. Aí eu subi o máximo que pude na Yakuza e fui lá pra ver o que acontecia. Ganhei uma missão onde eu precisava roubar um tanque, vi que eu não fazia ideia de como conseguir um tanque e desisti do jogo.

Troquei o cd do GTA2 por um case inteiro só com emuladores de fliperama. Sei lá, acho que saí na vantagem.

Entre centenas de jogos, eu devo ter aproveitado meia dúzia.

Entre centenas de jogos, eu devo ter aproveitado meia dúzia. Ainda assim, uma vitória.

Enfim, aceleramos a fita até os dias de hoje. Lá estou eu iniciando um novo jogo nesse tal Sleeping Dogs, tendo até então evitado completamente os tais “sandbox”. Quando falaram que era “tipo GTA” então, eu torci ainda mais o nariz. Não fosse a insistência de um amigo, eu não teria jogado até hoje.

Meus motivos eram porque eu sabia que a história seria ruim. Sabia que os personagens seriam rasos, que suas motivações seriam praticamente uma piada. Pois é, que imbecil.

WAPAAAAAAAAAAAAA

A história de Sleeping Dogs é sensacional. E os personagens… Ah, os personagens.

Sério. Vá jogar. Agora.

Eu lembro de uma conversa engraçada sobre Prototype, lembra desse jogo? Aquele sandbox que o protagonista tinha sofrido diversas mutações genéticas e tinha um monte de poder. Aí o papo era:
“Cara, eu não quero jogar Prototype, parece ser muito besta. O protagonista é poderoso demais.”

“Mano, dá pra dar uma voadora em um helicóptero.”

“Tá, mas…”
“VOADORA. EM UM HELICÓPTERO.”

“Mas eu…”
“VOADORA.”

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Pelo menos pra mim foi propaganda o suficiente pra me fazer querer jogar. Instalei. Joguei por meia hora. Vi que realmente era muito sem graça e desisti. Devo ter dado um total de quatro voadoras em helicópteros. Realmente foi divertido na primeira vez. E só.

Mas em Sleeping Dogs, você controla Wei Shen, mestre de Kung Fu. Você pode pular no meio de um grupo de criminosos e chutar a bunda de todos eles com socos, chutes, arremessos, rasteiras, mais socos e mais chutes. Em determinado ponto da história, você consegue uma arma de fogo mas quem, em sã consciência, preferiria atirar com uma arma de fogo?!

Somado a isso o controle sensacional de veículos, o jogo não fica enjoativo em momento algum. E, se Prototype tem voadoras em helicópteros…

– Violence, man!

Existem algumas missões extras que consistem em detonar pontos de tráfico por Hong Kong. Cidade essa que você acaba conhecendo detalhadamente enquanto joga. Basta alguém falar o nome do lugar onde você precisa ir, para que você saiba o caminho exato até lá, sem nem precisar consultar o mapa.

Daí, alguém te indica a boca de fumo a ser “fechada”. Wei Shen pega sua moto, vai até lá, acelera a um milhão de quilômetros por hora, salta do banco, vê a moto explodir em cima dos traficantes e corre até lá, pra kungfuzar a bunda dos sobreviventes no chão.

Vioolence

Uma vez eu li, no Cracked, que quando o cara matou um Locust com a motosserra, foi como se ele tivesse descoberto (e perdido) um novo tipo de virgindade. Eu acho que é uma analogia válida pra primeira vez que você dá uma voadora a 200 quilômetros por hora em alguém. É também um excelente motivo pra jogar, rejogar e rejogar…

Sem contar o DLC maravilhoso que é uma gigantesca homenagem ao filme Operação Dragão. Ah, depois que zerei Sleeping Dogs, a sensação de vazio e a vontade de ver mais aventuras de kung fu, me levaram a fazer uma maratona de filmes do Bruce Lee. E eu me arrependi de não ter feito isso antes.

Recomendo a todos, tanto os filmes quanto a história dessa figura lendária, que ficava literalmente o tempo todo tentando ser sempre melhor, independente do que estivesse fazendo no momento. Vale o exemplo.

O cara foi campeão de chá-chá-chá em 1958, cacete.

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

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