Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

Owlboy é bom pra cacete. Até semana que vem, não esqueçam de curtir e se inscrev

KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Walking Dead e Jackson Five

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Há pouco, terminei a versão para PC do jogo de Walking Dead, aquele dividido em cinco capítulos. O clima do jogo é bem tenso, os personagens são cativantes e a história imersiva. Se você estiver lendo este “review” procurando as características do jogo para se decidir se deve comprá-lo ou não, eu já adianto: vale cada centavo e minuto investido.

A jogabilidade consiste basicamente em uma história interativa, com algumas escolhas de diálogo e decisões cruciais apresentadas durante a jornada. Sim, você anda e explora, como todo bom Adventure clássico, tipo Monkey Island e Full Throttle. Os gráficos são bem bonitos, puxando pra um estilo próprio, acredito que tentando se aproximar do traço dos quadrinhos, apesar de em alguns momentos ficar um pouco gritante demais. Uma cena em específico com um trem (sempre eles) me deixou de queixo caído, mas nada muito pesado, seu computador da Xuxa deve rodar.

Como assim você não tem?

Como assim você não tem?

Esse tema de “história interativa” me fez lembrar dos livros-jogos escritos por Steve Jackson, como A Cidadela do Caos, O Feiticeiro da Montanha de Fogo, entre outros. Estes livros não fazem sentido se você os ler na ordem (página 1, 2, 3…), mas ao final de cada página existirá um instrução a ser seguida, como “Siga para a página 31” ou “Caso você queira pegar a gema vermelha, vá para 75; caso queira deixá-la onde está, vá para 18.” Esses livros foram a porta de entrada de muita gente para o RPG de mesa convencional (aquele com dados esquisitos e jogadores mais ainda), que depois os levou a conhecer outros sistemas, como GURPS, criado por outro Steve Jackson. Pois é. Outro chamariz para o RPG foram os filmes de Senhor dos Aneis, dirigidos pelo Peter Jackson e…

Bem, eu estou fugindo do tema.

Escolhas, escolhas…

A estrutura de Walking Dead é basicamente essa: você vai seguindo a história controlando o personagem Lee, reage aos problemas que são apresentados, toma as decisões que tiverem de ser tomadas e segue a trama.

Muito prazer.

Muito prazer.

Pode parecer limitado, mas é mais livre que jogos de tiro (como Battlefield) que te obrigam a ir do ponto A ao ponto B (tipo Battlefield), da específica forma que os criadores do jogo querem que você faça e não outra, sob pena de Game Over (por exemplo, Battlefield). As escolhas não são triviais como “qual cor de roupa você quer usar hoje”, nem sem consequências como “quem você quer salvar primeiro?”. As decisões tomadas durante a partida têm grande impacto na trama e no decorrer do jogo. Um exemplo? Pois não:

Cansada de lidar com a sobrevivência de todos e só receber reclamações, a líder do grupo o incube de distribuir o pouco de comida que resta entre os sobreviventes, incluindo você e ela, sabendo que seis pessoas terão de passar fome. E aí? Mulheres e crianças primeiro? Ou vale mais investir nos que trabalham nas barricadas e protegem o grupo? Você vai abdicar de sua parte? Mais adiante no episódio (já volto a isso), as decisões tomadas começam a pesar: sua dupla na vigia pode ter forças, ou não, para ajudar em caso de problemas. As pessoas podem te hostilizar por ter negado comida a elas…

As escolhas mais drásticas não te obrigam a escolher entre dois NPC’s que você nem fez força pra se apegar (alô, Mass Effect). Não, isso seria caridoso demais. Essas decisões vêm em momentos inesperados, quando a correria estiver no auge e sempre são dilemas de verdade. Ajuda ainda menos o fato de todas suas opções, sejam de diálogos ou rumo de ações, possuírem tempo limite para serem tomadas, com uma opção específica pro caso de não se decidir por nenhuma (seu covarde). E essas decisões cruciais têm grande peso na história e na sequência dos episódios.

Episódios?”, você pode estar perguntando. Então…

Bem vindo ao Maravilhoso Mundo do Futuro

Entre todo esse dilema de mídias digitais e mídias físicas, tem quem não esteja muito preocupado com quem vai ganhar e está apenas aproveitando as possibilidades.

Walking Dead não foi o pioneiro dessa modalidade, mas soube aproveitá-la para importar ainda mais o clima da série de TV para o jogo. Ele foi lançado em cinco episódios para download pago, que podiam ser comprados separadamente ou em um pacote completo e ter acesso a eles conforme ficassem disponíveis. Cada episódio lida com uma situação-crise completa e conclui em um clímax, com direito a “No próximo episódio” e o já clássico “Antesmente, em Andando Mortos”.

- Perdoe minha gramática. Ainda estou em Português Intermediário no curso.

– Perdoe meu inglês. Ainda estou no oitavo ano.

Com a próxima “temporada” de cinco episódios já engatilhada pra ainda esse ano, o jogo seguiu angariando prêmios sem fim, pela sua imersão e roteiro bem amarrado. E falando em roteiro…

Inovações em Massa

Para jogos, normalmente nossa tolerância é um pouco maior para roteiros, digamos, mais fracos. Talvez por estarmos lidando com mais coisas do a história, como Phil Fisher, criador de Fez, disse: “Os jogos são a maior e mais completa forma de expressão artística. Está tudo lá, visual, áudio, história, e ainda por cima é interativo!”

In Costeleta we trust!

In Costeleta we trust!

Clichês do cinema passam sem incomodar durante os jogos, seja o vilão no penhasco, o leal companheiro que se sacrifica, a tímida porém corajosa aliada (alô, Mass Effect), a lista continua. Mas em Walking Dead não. Os clichês ainda estão lá mas os personagens e eventos mostrados no jogo, além das interações entre si, são muito críveis, respeitando a identidade tanto da série quanto dos quadrinhos. Em outras palavras, o roteiro e as “atuações” do jogo poderiam ser exportadas para vídeo e todos ficariam satisfeitos assistindo-as. Menos quem não goste da série ou do tema. Aí não tem jeito.

Ainda falando em identidade da série, uma pequena curiosidade: em nenhum momento no seriado, é dita a palavra “zumbi”, sempre referindo-se aos mortos-vivos como walkers, geeks, undeads, etc, mas no jogo uma personagem fala em zumbis. Segundo o Jackson (não o Steve, nem o Steve, nem o Peter ou o Michael), amigo meu que inclusive foi quem me recomendou o jogo, pode ser simplesmente o jeito que aquele grupo em específico chamava os mortos.

Esse cuidado de criar um roteiro denso e com profundidade é algo que todos gostariam que fossem mais frequentes nos jogos, mas infelizmente parece ser algo que os criadores muito raramente levam em consideração. Ainda veremos muitas vezes o soldado sobrevivente, rude porém charmoso, que vai conquistar a lealdade e admiração de todos que encontrar e receber uma resposta positiva de todas as atividades que se envolver, no seu caminho para conseguir a única arma capaz de derrotar o inimigo, que na verdade era apenas o capacho de um inimigo ainda mais poderoso (vocês sabem de quem estou falando).

Mas acho que isso é assunto para outro post…

Ps.: Mass Effect é o meu terceiro jogo favorito, mas sejamos francos, está bem longe de ser perfeito. Caso alguém queira saber os outros dois, são Kingdom Hearts e Super Meat Boy.

Pulo Duplo é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, e trata sobre as coisas que só os Games trazem para nossa vida.

About The Author

  • Adele

    Eu não tenho o computador da xuxa… 🙁 no meu note não roda… deve ser da Angélica! hahahahhah!!!!
    A coluna está ótima! "Lee Everett – Muito prazer" foi foda! rs! Tá de parabéns!!! Deus abençoe!!!
    Ei, quando vc vai escrever sobre o Super Meat Boy?

    • rafero

      Nossa, pc da Angélica aehueahuea Sugestão anotada =)

  • Jackson

    Pra mim, melhor jogo de 2012!

    • rafero

      Pra indústria também haha!

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