Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

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Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

Raiderz e o Shutdown FAQ

RaiderZBanner

Navegando por aí, encontrei o Action-MMO Raiderz.

Ele possui as quatro classes básicas (chamadas, inclusive, de Defensor, Berseker, Clérigo e Feiticeiro, numa tradução livre) e parece possuir todas as coisas básicas de qualquer MMO: Mapas gigantes, quests infinitas, background mais profundo do que parece e uma jogabilidade “diferente mas igual”, como todo Action-MMO. Receita de sucesso hoje em dia, certo?

Bem…

“Caraca, perdi mó tempão nisso”

 

Segundo a postagem oficial, a equipe disse que o jogo não atingiu o nível de sucesso esperado e, após terem analisado todas as outras opções à exaustão, não sobrou-lhes alternativa senão fechar os servidores. E, apesar de não haver um pedido de desculpas na postagem, eles agradecem pelo apoio e torcem para que todos tenham se divertido. Um link na última linha levava ao inédito (pra mim) “Shutdown FAQ”, no fórum oficial do jogo.

E aí começou o show…

“É claro que o jogo tá fechando! Gameforge é um gigantesco FAIL ambulante!”

“Vocês deveriam ser processados!”

“Desliga logo de uma vez, pra que esperar até dia 30?”

“Estranha essa história de ‘nenhuma outra alternativa’! E aquele monte de update que vocês prometeram e nunca lançaram? Eu mesmo tenho vários amigos que entravam no jogo depois de 30 dias, perguntavam se havia atualizações e saíam por mais outro mês inteiro, quando viam que não. Vocês nem sequer tentaram!”

Caraca…

Sou só um entusiasta de games, então não vou nem tentar defender este ou aquele lado. Talvez a época dos MMO’s esteja mesmo chegando ao fim, já que até mesmo o gigante World of Warcraft está com problemas. Existem jogos competitivos online que apresentam diversão mais rápida e sem a necessidade de sentar em frente ao computador e só levantar pra tomar banho e almoçar três meses depois, quando seu personagem estiver forte e equipado o suficiente para participar de caçadas, que afinal de contas “é quando o jogo começa de verdade”.

- Né?

– Né?

 “Mas e meu moneyz??”

 

O lado bom de um MMO é a imersão. É a proposta de Second Life funcionando: você cria um alter ego e vai viver e interagir com outras pessoas nesse novo mundo que te é apresentado. A parte mais legal é poder ser um guerreiro, Jedi, caçador, robô… Em suma, o que você quiser ser.

 

[Player:] JãozãoPRK98

[Player:] JãozãoPRK98

A parte chata é que isso é um negócio e precisa gerar lucro para a empresa. Então ela quer que você continue jogando por muito tempo. Muito tempo. Mas muito tempo mesmo. A demora em ficar “poderoso” é proposital, a dificuldade de conseguir itens novos também. Existe todo um tratado sobre essa prática e se ela é ética ou não. Caramba, nesse link explica como eles aplicam princípios de experiências feitas em ratos de laboratório pra manter os jogadores interessados.

Pra manter a comunidade “viva”, atualizações são lançadas. O mundo tem uma história e é interessante que ela evolua. Em pequena escala, é muito chato aquele fazendeiro sempre estar com problemas com as toupeiras em sua plantação. Em maior escopo, “como assim aquele necromante poderoso continua assolando a Capital do Norte, se meu grupo derrotou ele semana passada (pela vigésima vez)”?

Então, comprando mais um pacote de dados, você pode visitar novos lugares, conseguir novos itens, enfrentar novos monstros e ver que o mundo está vivo ao seu redor. Ou pelo menos parece estar e, bem, ser enganados enquanto jogamos é o que todos queremos, certo?

 

 “Bom, valeu a experiência. Me diverti muito aqui! Abração a todos!”

 

Seja lá por quais motivos forem, Raiderz se encerra. E o que será que passa pela cabeça dos criadores? Os ilustradores e designers já receberam pelo seu trabalho e mostraram seu talento pro mundo. Os programadores cativaram sua leva de fãs com a jogabilidade que idealizaram. Quem está sem emprego mesmo e deveria estar chateado são as pessoas que mantinham o jogo online.

Mas será mesmo?

Será que existe a sensação de que suas criações “morreram”?

Deve ser diferente de um jogo single player, onde depois de terminado, não há mais nada para os criadores fazerem. Sucesso ou fracasso, o jogo está pronto e agora é hora de partir pro próximo ou desistir, ante a fúria da internet.

Bom, eu (ainda) nunca fiz um jogo e nem imagino como é. Mas quando eu termino de escrever uma coluna aqui no Ghadernal ou um texto na Pulp Feek (o meu é a saga Steampunk A Imperatriz de Ferro), eu sempre volto pra reler sob a visão de um espectador, ver feedback, achar coisas que eu não gostei no texto e me odiar por isso…

Esse texto nasceu da sensação de tristeza quando eu li “FAQ for the Shutdown of RaiderZ”, mesmo que eu nunca tivesse sequer ouvido falar desse jogo até então. Sei lá. Coitado.

Best of luck.

Eu Ia Escrever Sobre Isso é uma coluna semanal, comandada pelo Rafero, que fala sobre o maravilhoso “ecossistema” do mundo dos jogos.

About The Author

  • Jackson

    Uou…

    Ideia muito bacana de post cara.
    Espero ver mais sobre o tema.

    E pelo visto, você consegue se deixar levar muito mais pelos MMOs (ah, como eu queria ser assim).
    Nos poucos MMOs que joguei, joguei mais pela possibilidade de estar jogando com amigos e não porque achava realmente importante salvar o fazendeiro do ataque das topeiras.
    Talvez eu era quem jogava "errado", mas pra mim era assim.

    PS: SIM!!! Acredito que os MOBAs vão cada vez mais abocanhar mercado dos MMOs, mas não acredito que estes vão desaparecer.

    • rafero

      Cara, desaparecer eu também acho que não. Mas eu tô apostando que vai virar uma parada completamente diferente… Sei lá o que os produtores de WoW tão planejando, ou se a "salvação" vai vir do mercado Indie, mas acho que MMO, do jeito que a gente conhece hoje, tá chegando à aurora.
      Se bem que tem gente jogando adventure de texto até hoje, então o que eu sei né? rsrs

  • Samir Rolemberg

    talvez o modelo de negócio adotado pelo jogo e a falta de suporte dos criadores tenha matado o jogo.

    ou talvez o investimento não traria retorno nem mesmo a longo prazo.

    muitos fatores para estudar! estou com preguiça! #morri

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