Breath of Fire 4 e o Sétimo Hóspede Maldito

Eu nunca tive um computador de última geração. Também nunca estive “a par” com a tecnologia de jogos, no sentido de não ter o videogame atual. Eu jogava no Mega Drive enquanto jogavam Final Fantasy 8 e tive um GameCube quando Playstation 3 estava no auge. Hoje as coisas se mantém mais ou menos da mesma forma. Então, quando esses tempos bateu uma vontade gigante de jogar um “jogo de exploração”, não pude pegar Demon Souls, nem Dark Souls ou BloodBorne. Se a vontade era só explorar, eu podia ir atrás de Dear Esther ou Everybody’s Gone to the Rapture,

Owlboy e a Sociologia

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KOF e Caminhadas na Praia

Eu nunca fui muito bom em jogos de luta (ou jogos em geral). Meus amigos sempre jogaram muito e muito bem, fazendo várias maratonas de jogatina que eu, normalmente, não participava. Ansioso por tomar parte nas atividades, eu acabava pesquisando em casa sobre o jogo, como se isso fosse, de alguma forma, me fazer jogar bem. É bem patético, eu sei. Mas nessas pesquisas eu acabei descobrindo que os criadores dos jogos colocavam muitos detalhes que, quase sempre, não eram percebidos. Coisas como:

GAIN GROUND e o MST

Gain Ground

Uma das grandes características do mundo dos jogos de vídeo game é a sua incrível e maluca capacidade de mudança. Falando especificamente sobre os gêneros, é incrível que uma mídia consiga mudar tanto em tão pouco tempo. Por exemplo, com DEFENDER da Williams, nos Arcades, se criaria o gênero de ‘side-scrolling’ que anos mais tarde seria influência geral para Super Mario Bros no NES. O gênro foi aprimorado por outros jogos da época e depois adaptado para o 3D por New Super Mario Bros, para ganhar nova definição, porém em outra linguagem.

Infelizmente, nem tudo são flores e nem todo gênero criado é devidamente explorado. Isso quando não se misturam gêneros e a parte mais pura de uma boa jogabilidade acaba parando em outro tipo de jogo que não tem muito a ver com isso. Por exemplo, jogos de FPS com mecânicas de progressão inspiradas por RPG: Alguns fazem muito bem, mas os que erram nisso, erram com gosto.

Um gênero que praticamente morreu, ou sumiu, ou não há algo relevante hoje em dia, são os jogos Top Down (visão de cima). Aqui estamos falando do jogo Gain Ground.

A capa da Versão de Mega Drive

A capa da Versão de Mega Drive

Gain Ground é um daqueles jogos que fazem parte de alguma biblioteca obscura de games que são excelentes, mas não alcançam a luz do grande público. Na verdade, eu diria hoje que ele não chegou a atingir a luz do pequeno público, mesmo sendo lançado para várias plataformas.

Lançado originalmente para os arcades da SEGA em 1988, o jogo se caracteriza pelos estilos Ação e Estratégia, mas difere, por exemplo, de Ikari Warriors (que não dá um peso tão forte no quesito estratégia) e apresenta apenas uma tela fixa no decorrer do jogo.

Tela Principal do jogo

Tela Principal do jogo

Em Gain Groud, o jogador controla um time de até 20 personagens. Cada personagem tem características bem particulares, que podem torná-lo a melhor ou a pior opção possível em determinados momentos. Cada um apresenta um tipo de Movimentação, Disparo e Habilidades diferentes, além de um design próprio para cada um deles.

Para progredir, o jogador deve passar com todo o time até o ponto de saída de cada fase, ou simplesmente derrotar todos os inimigos presentes no cenário. Assim sendo, perder nesse jogo seria não ter mais personagens disponíveis para continuar jogando.

Já que inicialmente você terá apenas três deles habilitados, adquirir mais personagens é um ponto essencial no game. Para tal, personagens extras estão espalhados pelo cenário e o Jogador terá que se aproximar de um deles e levá-lo em segurança até o ponto de saída. Fazendo isso, aquele personagem resgatado estará apto para o jogo na próxima rodada.

Inimigos posicionados sacanamente

Inimigos posicionados sacanamente

A dificuldade do jogo se concentra na progressão do personagem nos cenários. Como dito anteriormente, os personagens são bem distintos, alguns mais lentos, alguns mais rápidos e com seus tiros variados. Usar o personagem errado na fase errada fará toda a diferença no final. Aliás, é bem provável que aquele personagem morra ou fique no meio do cenário para ser resgatado, e isso ainda adiciona o fator de você não querer deixar nenhum deles para trás.

Os inimigos ficam bem dispostos no cenário. Alguns estão escondidos e podem, por exemplo, surgir de trás de uma parede, o que é bem sacana. Outros estarão localizados em um lugar alto, só podendo ser atingidos por um personagem que faça seus ataques em forma de arremesso.

Os gráficos desse jogo são interessantes, de um certo ponto de vista, mas não são exatamente lindos. Apesar de tudo ser meio fosco, você consegue diferenciar bem os Sprites no cenário. Cada Personagem tem um retrato único que fica exposto na barra lateral de cada jogador. Os desenhos usados são de fácil identificação, inclusive podendo dar uma dica do tipo de ataque do personagem.

Em alguns momentos o jogo se torna um Bullethell

Em alguns momentos o jogo se torna um Bullethell

Ainda na barra lateral, é exibido o tempo (sim, o jogo é sacana a esse ponto), a quantidade de inimigos restantes, o número de personagens que estão com você e o número de personagens que já passaram pela saída. Essa barra lateral é uma adição excelente às versões de console do jogo.  Primeiro, facilitam a contagem de tudo no jogo e segundo, elas acabam mantendo a proporção mais esticada dos gráficos.

O som não é nenhuma maravilha, muito em partes pelo hardware em si, mas as músicas são bem marcantes. Principalmente a música das primeiras fases.

Os controles respondem bem e não são nada complexos: apenas dois botões para jogar. O que é uma coisa boa, tendo em vista que os consoles da SEGA são desprovidos de um controle de seis botões (que viesse junto no pacote do aparelho).

O Boss Roxo cuspidor de fogo e 4 Mini Boss Cuspidores de Fogo

O Boss Roxo cuspidor de fogo e 4 Mini Boss Cuspidores de Fogo

Gain Ground é do tipo de jogo ‘Ame ou Odeie’. De minha parte, ainda consigo apreciá-lo de uma forma bem agradável. Felizmente, mesmo meio obscuro,  o jogo ganhou um uma edição remasterizada em CD para PS2 nas coletâneas do Sega Ages 2500 (no caso, o volume 9). “2500” pois esse era o preço em Ienes do jogo, que infelizmente ficaram restritos ao Japão. Não que isso impedisse alguém na época do PS2.

Se tiverem a oportunidade, peguem nem que seja só pela curiosidade. Esse é o tipo de jogo que dá pra ser apreciados aos poucos, mesmo num celular.

Bem, ficamos por aqui, e agora me deem licença: Tenho que ir pra guerra.

Tem uma estátua cuspidora de fogo aqui perto que não me deixa dormir. Hora de jogar meu bumerangue nela.

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  • Belo post, creio que deixou bem claro como funciona o jogo, entretanto, só jogando mesmo para entender a riqueza de estratégia do mesmo.

    Não me lembro se algum dia já peguei a versão de Mega Drive para jogar… se o fiz, foi a muito tempo, pois lembro que tinha este jogo na memória do meu Mega Drive que foi roubado em 2010. Entretanto, comparada com a versão de Master System, esta parece ser mais complicada… pelas fotos, creio que tu não chegaste no terceiro setor, e essa imagem do primeiro boss me assustou! Na versão de Master System ele é bem mais simples.